A pizzaria de Florianópolis
Uma pizzaria de bairro em Floripa aprendeu a operar dois ritmos: alta temporada cheia e baixa temporada vazia. Sem virar mesa.
Em Florianópolis, num bairro de moradores fixos que enche de turista quatro meses por ano, há uma pizzaria de família que opera há doze anos. O dono é descendente de italiano, faz a massa de manhã, e conhece o nome de quase todos os clientes que aparecem regularmente.
A casa tem um ritmo dividido. Dezembro a março, a fila no whatsapp é tão grande que algumas pizzas não saem. Abril a novembro, a casa fica meio cheia, e o problema é o oposto: como manter operação sem demitir ninguém porque a alta volta em três meses.
Na alta, o pedido entrava na cabeça do garçom. Cliente mandava no whatsapp, o garçom anotava no papel, ia pra cozinha, voltava, perguntava novamente o sabor, errava. Final do turno tinha pizza errada, troco errado, freguês irritado.
Hoje o pedido entra estruturado. Cliente abre o cardápio, escolhe a pizza, escolhe se vai retirar ou receber, paga PIX, e a comanda chega impressa na cozinha sem nenhuma transcrição. Na alta temporada, isso reduziu erro a quase zero. Na baixa, o tempo livre da equipe virou tempo de melhorar a casa, treinar massa nova, testar combinação.
A família continua cozinhando do mesmo jeito. O turista que vem e volta no ano seguinte fala que melhorou. O morador fixo continua chamando o dono pelo nome. A pizzaria não virou outra coisa. Só passou a operar nos dois ritmos sem que um atrapalhasse o outro.
Veja também: a vinícola da serra gaúcha e a hamburgueria do interior paulista.
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